Como muitos de nós podemos observar, pelo avanço dos meios de comunicação que hoje abrangem praticamente a notícia e as fronteiras de nosso país em tempo real, a violência em nosso Estado cresce cada vez mais. È claro, que a violência existe no Brasil desde seu descobrimento e a crueldade entre os homens faz parte de sua natureza, mas o aumento da informação e dos jornais sensacionalistas implementam na cabeça de nosso povo um país cada vez mais desigual e sem limites para as atrocidades que vemos nas emissoras e nas folhas de jornais.
Podemos citar aqui diversos casos que chocaram a opinião pública brasileira, como o caso da universitária que assassinou os pais, e outros que expressam claramente a impunidade que vive nosso país, como a do índio incendiado em Brasília, que até hoje choca nossa sociedade que clama por justiça.
Mas o que chama mais atenção é que cada vez mais formamos advogados, e cada vez menos, alcançamos à justiça. Quem não se lembra do filme “Advogado do Diabo”, em sua cena onde Milton (Al Pacino) diz a seu filho: “Há mais advogados nas universidades que médicos nos hospitais”. Essa frase reflete claramente a importância que um advogado tem na sociedade. Se formam tantos advogados, que são os responsáveis por interpretar as leis, de forma justa, por que a injustiça aumenta?
No Brasil morrem em média cinqüenta e cinco mil pessoas de forma violenta por ano, e metade dos casos não tem explicação. Será por falta de leis mais severas, pela corrupção ou má interpretação e criação de leis que deixam brechas para impunidade?
Por falta de pessoas qualificadas para estudar e praticar a justiça não pode ser, pois as universidades, concursos e filas de desempregados estão cheios de advogados. Daí a importância que os estudantes de Direito tem na sociedade. Como interpretes e futuros juristas, devem estar preparados para tornar a sociedade mais justa e sem impunidades como vemos hoje em nosso país.
Mas, mais importante que os estudantes, são as universidades que devem estar preparadas cada vez mais para as diferenças e mudanças sociais, a fim de educar e ensinar seus alunos a se tornarem verdadeiros cidadãos, palavra que hoje poucas pessoas sabem o que significa ser.
As universidades devem não só se preocupar com formar seus alunos em cinco anos, mas também prepara-los para enfrentar os problemas sociais e as diferenças entre os homens, afinal o direito é uma ciência humana voltada para o estudo das relações sociais, a fim de regula-las, através de leis que visam os interesses comuns.
Mas como fazer isso no Brasil, onde as diferenças sociais são tão gritantes e os próprios alunos estão interessados em interesses particulares?
Talvez uma ação mais participativa das universidades de Direito na sociedade em que estão, e nos estudantes que ainda almejam cursa-las, para mostrar a importância de lutarmos pelos interesses comuns e promover uma nação mais justa e solidária, pode ser uma saída. Formar cidadãos antes do meio corrompe-los.
Para os estudantes de Direito que estão por aí, a solução seria se preocupar mais com o país em que vivem e não só com seus interesses particulares, achando que a carreira do Direito, será apenas uma forma de ganhar dinheiro e passar em um concurso público para ter estabilidade entre outras coisas. Devemos nos preocupar com o futuro sim, mas com o futuro de nossa nação, façamos de nossas vidas e de nossos conhecimentos, instrumentos para poder criar uma sociedade mais justa e solidária, para nós, nossos filhos e netos e o próximo, os filhos e netos dos mesmos, pois afinal, somos futuros advogados e interpretes das leis, podemos construir um futuro melhor e mais justo para todos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário